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EQUIPE ABRABIO - Adriane Viapiana Bossa – 09/12/2025 | 31/07/2026 - 11:40
Promessa de cura: riscos legais, éticos e de comunicação no biomagnetismo
O campo das Práticas Integrativas e Complementares Magnéticas (PICMAGs) cresceu significativamente no Brasil, com avanços técnicos, qualificação profissional, protocolos clínicos e centenas de biomagnetistas atuando de forma ética e documentada.

Esse amadurecimento trouxe visibilidade e também novos desafios: o maior deles é a comunicação responsável diante dos pacientes e do público em geral.

A promessa explícita ou implícita de cura é uma das condutas que mais expõe o profissional da área a riscos éticos, jurídicos, científicos e institucionais, além de comprometer a credibilidade coletiva da categoria. O tema exige discussão séria, alinhada às diretrizes profissionais adotadas pela ABRABIO.

Por que a promessa de cura é um risco?

A legislação brasileira entende que qualquer profissional que promete cura assume uma responsabilidade terapêutica que extrapola a prática complementar. Isso pode configurar:
• exercício ilegal de profissão regulamentada,
• propaganda enganosa,
• prática abusiva perante o consumidor,
• risco de responsabilização civil, penal ou administrativa,
• e violação de princípios éticos de saúde.

Nas terapias integrativas – incluindo as PICMAG –, a comunicação deve deixar claro que:
não substituímos acompanhamento médico,
não suspenderemos tratamentos convencionais,
não garantimos desfechos clínicos específicos,
e não oferecemos cura como promessa comercial ou técnica.

Essa estrutura é essencial para proteger o biomagnetista, o paciente e a própria legitimidade institucional da profissão.


Onde está o principal risco de comunicação?

Grande parte da exposição profissional não está apenas no atendimento em si, mas na comunicação pública:
• posts nas redes sociais,
• depoimentos de pacientes,
• legendas emocionais,
• linguagem de marketing,
• campanhas promocionais,
• vídeos com resultados pessoais,
• lives,
• anúncios e reels,
• materiais educativos não supervisionados.

Expressões como:

“cura”, “tratamos qualquer doença”, “eliminamos tumores”, “garantimos resultado”, “câncer tem solução com biomagnetismo”, “HIV tem cura”, “desativamos vírus definitivamente”, “resolve sem medicamento ou sem médico”,

são linguisticamente sedutoras para o público, mas juridicamente inseguras. Elas podem ser interpretadas como atuação médica indevida, promessa terapêutica, charlatanismo ou propaganda enganosa, mesmo que o profissional nunca tenha tido tal intenção.

Um detalhe crítico: a intenção não protege do risco. O que importa é a interpretação pública da mensagem.


Dimensão ética: o mais importante

A ABRABIO defende que a ética do biomagnetista começa pelo respeito à vulnerabilidade do paciente.

Pessoas que buscam terapias integrativas, em muitos casos, estão
• emocionalmente abaladas,
• cansadas de tratamentos convencionais,
• vivendo dor ou sofrimento,
• fragilizadas por patologias graves,
• em busca de esperança.

Promessas de cura, ainda que bem-intencionadas, exploram uma vulnerabilidade profunda do ser humano. Isso não é apenas um problema legal – é sobretudo um problema ético:

A esperança do paciente nunca deve ser manipulada como argumento comercial.

As terapias magnéticas podem oferecer acolhimento, autorregulação, vitalidade, bem-estar, qualidade de vida, suporte emocional, harmonia funcional, prevenção complementar e melhoria sistêmica — pode acontecer, e acontece muito mas, não garante desfecho clínico específico.


Consequências invisíveis de uma comunicação irresponsável

Quando um profissional promete cura, vários efeitos colaterais acontecem:
1. o paciente pode abandonar o tratamento convencional, colocando sua vida em risco;
2. a família cria expectativas irreais, gerando frustração, sofrimento e conflito emocional;
3. o profissional pode ser acusado de interferir na conduta médica, o que é juridicamente grave;
4. a imagem institucional das PICMAG fica vulnerável, prejudicando toda a categoria;
5. órgãos de fiscalização podem interpretar a prática como exercício ilegal da medicina.

O dano não é apenas individual. Uma promessa pública pode:
• descredibilizar a área,
• comprometer futuras regulamentações,
• dificultar acesso institucional,
• gerar resistência de gestores, conselhos e profissionais da saúde,
• e atrasar décadas de construção científica e institucional.

Por isso, a comunicação responsável é dever coletivo, não apenas pessoal.

Como comunicar resultados com segurança?

Um biomagnetista pode comunicar:
quais campos magnéticos disfuncionais foram tratados juntamente com suas implicações semiológicas e informações como sinais e sintomas relacionadas com estas disfunções no organismo
melhora do bem-estar,
redução de dor,
melhora do sono,
redução de crises emocionais,
maior vitalidade e energia,
melhora de aspectos relacionados com a qualidade de vida,
conforto, acolhimento e regulação emocional,
apoio complementar em quadros crônicos ou sensoriais.

Mas deve sempre reforçar com clareza:

As PICMAGs são terapias integrativas e complementares, não substituem acompanhamento médico, não prometem cura e não possuem finalidade exclusiva de tratamento clínico ou diagnóstico médico.

Essa frase protege:
• o paciente,
• o profissional,
• a empresa contratante,
• e a reputação institucional da ABRABIO.

A documentação clínica é defesa ética

Um dos pilares de atuação ética é o uso obrigatório de:
• anamnese,
• prontuário,
• termos de consentimento (TCLE),
• registro de hipóteses bioenergéticas,
• plano terapêutico complementar,
• evolução dos atendimentos.

Esses instrumentos:
• definem limites de atuação,
• documentam a segurança terapêutica,
• reforçam a transparência com o paciente,
• evitam falsas expectativas,
• protegem juridicamente o profissional.

A ausência de documentação abre margem para interpretações equivocadas — inclusive aquelas relacionadas a promessa terapêutica.


A ABRABIO e o posicionamento institucional

A ABRABIO orienta a categoria que:
resultados devem ser descritos como melhoria de qualidade de vida,
o foco é prevenção, regulação, autorregulação e suporte integrativo,
jamais como cura garantida ou solução clínica definitiva,
toda comunicação precisa ser clara, técnica, segura e moderada,
nenhum biomagnetista associado deve utilizar linguagem comercial que gere expectativa de cura.

Esse posicionamento protege:
• o paciente,
• o profissional,
• a credibilidade da área,
• e a maturidade institucional necessária para avanços regulatórios no Brasil.

Conclusão

As PICMAG são práticas integrativas com potencial clínico e emocional significativo. Seus benefícios são reais e observáveis, tanto no consultório como em ambientes corporativos, familiares e comunitários. Mas esses benefícios não precisam ser traduzidos em promessa de cura.

O verdadeiro compromisso ético das PICMAG é:
• promover cuidado,
• fortalecer a saúde emocional,
• melhorar a qualidade de vida,
• apoiar o paciente em seu processo de saúde,
• com acompanhamento responsável, claro e complementar.

Profissão madura não depende de milagres — depende de responsabilidade.

A evolução institucional das PICMAG no Brasil exige linguagem séria, ética, padronizada e juridicamente protegida. A ABRABIO continuará orientando, supervisionando e apoiando seus profissionais para que cresçam com segurança, relevância e legitimidade.

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